sexta-feira, 13 de maio de 2011

Paladinos da moralidade condenam vendedora de rifa


A respeito de diversos projetos de Lei que poderiam estar pautando os deputados estaduais da Bahia, o assunto dos dois últimos dias da Assembleia Legislativa é o caso envolvendo a servidora (agora ex-chefe de setor) Shirley Góes, que estava vendendo uma rifa nos corredores do Legislativo com o objetivo, segundo a própria, de levantar um dinheiro para ajudar uma amiga que passa por dificuldades financeiras e ainda sofre de depressão.

Defensores incansáveis da moralidade e legalidade que o são, os parlamentares baianos apontaram suas metralhadores e dispararam contra a mulher. Um disse que ali não era lugar de exercer qualquer outro tipo de atividade econômica. Pasmem! Outro afirmou que ela estava deixando de cumprir com suas obrigações para exercer outro trabalho, neste caso, vender rifa.

A maioria, no entanto, alegou que não sabia de nada. Tese que em poucos minutos pode ser desconstruída por qualquer pessoa que transite pelos corredores do legislativo baiano e que possa ouvir e entenda a língua portuguesa.

O que pesou para Shirley foram dois fatores. O primeiro foi ter colocado o telefone de sua sala para tirar dúvidas a respeito da rifa. Não, segundo ela, o número não servia para buscar novos “consumidores”, apenas constava ali para esclarecer alguma dúvida mesmo.

A decisão de colocar o telefone do Legislativo ali configura um atitude infeliz, apesar de nenhum dos deputados procurados pela reportagem do  News saber qual a infração cometida pela funcionária de carreira, concursada, e que atua na Assembleia há 18 anos.

O presidente Marcelo Nilo exonerou Shirley após o caso vir a público em rede nacional. De acordo com ele, a servidora era uma excelente funcionária. Tanto que foi eleita pelos colegas para chefiar a Sessão de Apoio Parlamentar, cargo que agora fica com o Diretor Parlamentar da Casa, Geraldo Mascarenhas.

A segunda informação que “chocou”  o palco da moralidade foi o prêmio da rifa. Uma diária no Motel Play. Não ela não iria junto. O vencedor ou vencedora deveria levar ao quarto romântico quem bem entendesse.

Enfim, na jornada de Shirley foram vendidas 90 rifas no valor de R$ 5 cada. Juntou R$ 450 e virou, de quebra, assunto em telejornal nacional. Mais que isso, virou tema, não apenas para aqueles que amargam horas à frente dos cartórios, como também para os que prestam queixas nas delegacias e esperam atendimento médico em Hospitais do Estado.

De fato, se não fosse a rifa de Shirley não haveria outro assunto para discutir durante a sessão especial convocada em homenagem aos 40 anos da Embasa na última quinta-feira (12), um dia depois dos deputados da bancada de oposição tentarem convocar o presidente da empresa de economia mista para prestar esclarecimentos sobre os gastos com festas e publicidade, e serem vencidos pelos governistas.

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